A BALADA DO VEÍCULO AUXILIAR DE TRANSPORTE

I.

Abandonada a programação:
civilização, ciência?;
………………………………..na-da.
Queima azul a astronave:
chave quebrada, teima
aziaga, seta sem direção.

II.

Assistimos de longe,
é outra a nossa sorte
No veículo auxiliar de transporte

Agora a excelência humana
é um mito de valor muito inferior
a qualquer coisa útil, concreta
como, por exemplo, uma banana

III.

E o transporte vai
E a nave mãe cai

Dia atroz
Dia do mal
E o transporte a queimar
Atritando contra o ar
Tudo é malsão
Tudo desfaz
No desafiar
Da atmosfera encontrar

E o transporte vai
E a nave mãe cai

IV.

Eis que agora estamos salvos
Eis que estamos entregues à culpa

 

 

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A ASTRONAVE CAI

I.

Cenas que vão
rápidas e vazias
Se bem que…
……………………. Não
Antes fossem vazias
E antes tudo fosse rápido
(não insistindo em se repetir, estúpidas
historiúnculas despedaçadas,
meio sem sentido, meio ferradas)

Cenas que vêm e vão
em rápida repetição

Ele vê essas cenas
e muito lixo

Monturos e monturos

II.

Por que estaria ele jogado,
bêbado, quase pelado,
num canto desconfortável,
com cara de inconsolável,
lendo as instruções,
longe de suas funções,
o leme no manual
em abandono total?

III. 

Não haveria um descontento, assim, arranjado,
(Por que o descantar tão irado?)

que seguisse manso, talvez acompanhado de… Guitarras e violinos?

Guinchos de metal em torção,  o alarme esganiçado,
A astronave agora cai, entre silvos e hinos,

Contagem regressiva
e apelos ao transcendental,

até que com a nave mãe estragada
venha o clichê do final:
queimar na reentrada

IV.

Haveria de cuidar de cada sol,
deixar-se reger pelos sois
Comer (como remédio para a úlcera):
os pomos de prata da lua,
os pomos de ouro do sol.

V.

E astronave cai
Feito estrela
………………….despenhada
Ou pior: ideia nunca anotada

 

Olivenbaum 16

Às vezes,
passando pela rua
………………………………que é só sua

escuto seu piano.

mas não penso te em visitar
(porque) é também a mim prazeroso
imaginar-te e te deixar estar
(o quê?) em ócio operoso

(e de estar você assim,
tão sutil, tão abstrato,
de qual emoção, enfim,
teremos um
…………………….concreto
……………………………………retrato?,
sua destra marcará
prosa, poesia,
riff de guitarra,
grifo ou carcará,
gozo ou azia,
fossa ou algazarra?)

e às vezes eu não quero te encontrar
por banal, não ter nadar para lhe mostrar