ISABELA – 24

(Algo que eu talvez incorpore à Lúcia de Esdrúxulo e Lúgubre)

— Quem é você? Não, é sério. É preciso saber. Quem são seus vários eus? O seu eu que tem preguiça de lavar louça, esse preguiçosinho inocente, não é o seu mesmo eu, tirânico, que se imagina no gozo de privilégios?… Eu ia adjetivar, infundados, indevidos, mas, ahn: privilégios, ponto.

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Rascunhos para a RESINA

Resina é uma revista literária que um dia virá à luz. Por ora é um projeto meu e de Pedro Furtado (aceitamos outros colaboradores!). Cada edição terá textos (pode ser qualquer coisa, mas por agora pensamos em poesia) gerados a partir de uma palavra sorteada dentre várias escolhidas minutos antes. A palavra da vez é sombra.

Quase

corre pelo chão,
na horizontal
(projeção
quase
igual),
de encontro
à original,
a sombra
da folha
que cai:
(quase)
como o filho
pequeno
(e aflito)
aos braços
do pai.

 

[…]

— Ele disse ter visto o demônio.
— O demônio, tipo, O Demônio?
— Sim, O Demônio, O Demônio
— Não, não…. O quê ele viu? Como é?
— O Capeta, O Chifrudo!
— Pô, por favor, a descrição, o que o homem viu afinal?
— Um homem com chifres na testa!
— Um homem com chifres na testa? Um homem com chifres na testa? De onde você tirou a ideia de que está preparado para esse trabalho? Um homem com chifres na testa! Pf! Seu amadorismo me dá nojo, no-jo. Já ouviu falar em Pan, Baal Hamom, Cernunnos, sátiros, faunos? Chifres na testa podem ser mil coisas diferentes! Até na cabeça de Moisés!, de Alexandre o Grande!, já inventaram de por chifres!