ISABELA4.TXT

— As pessoas (quase) não têm mais privacidade, muito verdade, mas não exatamente pelo motivo que se costuma pensar, não porque dados sobre suas vidas tenham se tornado públicos irremediavelmente (por mais que isso seja verdade). A real perda da privacidade se dá por meio do aniquilamento das experiências próprias, singulares, verdadeiramente privadas. Há uma carência absurda, fabricada, que nós leva a viver respondendo estímulos exteriores. Somos pautados a todo instante e aceitamos isso, de bom grado. Não há como falar em direitos da personalidade quando personalidade não há.

Ela falou outras coisas nesse dia, mas no final eu decidi anotar só isso.

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