ISABELA 26

— Já encontrei um tanto de fumantes que só respiravam direito, só inspiravam a plenos pulmões, quando tragando. O que deveria ser uma prática constante só acontece com a gana do vício. Maconheiros são assim também, tem muita gente que se sente melhor não por conta da erva em si, mas porque depois de completar o ritual de dixavar, bolar, pilar e acender começa a respirar propriamente. Os cocainômanos também são assim, de uma forma, naturalmente, muito mais evidente. Todo mundo já viu cheirador se sentindo paradoxalmente, pervertidamente, saudável, estufando o peito, como se o sistema respiratório estivesse revigorado. Essa não é uma fala contra as drogas, claro, eu acordo com café e termino o dia com o meu cigarrinho de artista, drogados todos somos, mas a questão é… E se nós só parássemos um pouco para concentrar e… Respirar? Agora. Não quando passar essa barra. Não quando o pagamento cair. Não com o dedo de gorila manufaturado, não com a linha esticada. Agora.

(Sinto que Isabela e Lúcia se fundirão, ou que Isabela é uma espécie de proto-Lúcia, ou algo talvez mais complexo. Simplificando: hei de usar algumas dessas coisas no romance [com a diferença que talvez Lúcia quebre um só de vez em quando]).

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