ISABELA1.TXT

Enquanto ainda havia tempo ela ficava segura, crente de que daria conta de acertar tudo. Então o prazo estourava (não um prazo peremptório, senhores advogados, nada assim tão fa-tal) e ela se sentia culpada (a culpa de ter errado). Operando de uma forma que lhe parecia mecânica, natural, mas ao mesmo tempo nada lógica, nada racional, a culpa — a consciência da falha — afastava-lhe do cumprimento do dever: era como se a preclusão da possibilidade de ter feito a coisa da maneira perfeita lhe debilitasse o ânimo, estragasse tudo. Mas não estragava, ela sabia, era só reconhecer o atraso e resolver a questão. Que acertasse tudo com desculpas, que acertasse tudo com juros. Mas não. Um e-mail não lido dentro de três dias, por exemplo, era negligenciado por mais uma semana e então, pluft, desaparecia, sumia da cabeça dela por meses, só para voltar em alguma data crítica, com força total, emanando uma aura maligna, acordando-a durante a noite, taquicárdica e ofegante.