A Mestra – III

 

Tetragrammaton

I. Prima materia

Do luxo à miséria
Tudo, tudo, é mera distorção
(Mera distorção)

Da prima materia

*

II. Do uno ao quaternário

(No princípio,)

o ente, ponto uno,

Por sozinho, achou oportuno
Espelhar-se, alinhando-se no binário

E, concebida no dual, a fertilidade,
Invenção da síntese, do plano, da natalidade,
Sagrou-se vencedora na concepção da trindade

O uno, então, somado a si mesmo triplicado,
Gerou pontos, linhas e planos, para todos os lados
E assim, pelo quaternário, foram todos os mundos criados
Tendo forte, em suas bases, o poder do símbolo do quadrado

*

III. De plano

O bom e o mal, o bonito e feio,
Pensamentos do mundo inteiro,
Tudo deságua no plano astral.

Em poucos lugares
Percebes tais ares,
O existir todo espelhado
Num desfile plural,
Caleidoscópio bagunçado,
De luz transcendental

Vamos, logo, de plano
Para outro astral
Outro astral (x2)

Não deixe amigo, que se parta
Esse, sutil, fio fino de prata
Não se percas, cá não é o céu

Não é lugar para errar ao léu
A qualquer instante, do divino
Descemos para o infernal
Cuidado, ó, místico peregrino,
Quando viajas por esse agente natural

Vamos, logo, de plano
Para outro astral
Outro astral (x2)

*

IV.  Abraxas

De regresso de Jerusalém
Vieram a mim os mortos
Almas soltas de rotos corpos
Julgando o além muito aquém

Sedentos por instrução
Vieram a mim os mortos
Todos frustrações e juízos tortos
Vieram para meu sermão

Revelei-lhes o deus escondido
Que todos os céus habita
A divindade hermafrodita
Cujo poder é desmedido

Revelei-lhes o sol e o sal
Agente que tudo leva e traz
Contra quem resistir é ineficaz
O deus do bem e do mau

E como névoa
Os mortos ascenderam

E como névoa
Os mortos ascenderam

Tu também!
Arrastando-se pelo mundo
Na rotina absorto
É um corpo morto!

Tu também!
Abandone tudo
O que pensas e achas
E abra-te à obra de Abraxas!