A ASTRONAVE CAI

I.

Cenas que vão
rápidas e vazias
Se bem que…
……………………. Não
Antes fossem vazias
E antes tudo fosse rápido
(não insistindo em se repetir, estúpidas
historiúnculas despedaçadas,
meio sem sentido, meio ferradas)

Cenas que vêm e vão
em rápida repetição

Ele vê essas cenas
e muito lixo

Monturos e monturos

II.

Por que estaria ele jogado,
bêbado, quase pelado,
num canto desconfortável,
com cara de inconsolável,
lendo as instruções,
longe de suas funções,
o leme no manual
em abandono total?

III. 

Não haveria um descontento, assim, arranjado,
(Por que o descantar tão irado?)

que seguisse manso, talvez acompanhado de… Guitarras e violinos?

Guinchos de metal em torção,  o alarme esganiçado,
A astronave agora cai, entre silvos e hinos,

Contagem regressiva
e apelos ao transcendental,

até que com a nave mãe estragada
venha o clichê do final:
queimar na reentrada

IV.

Haveria de cuidar de cada sol,
deixar-se reger pelos sois
Comer (como remédio para a úlcera):
os pomos de prata da lua,
os pomos de ouro do sol.

V.

E astronave cai
Feito estrela
………………….despenhada
Ou pior: ideia nunca anotada

 

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Olivenbaum 16

Às vezes,
passando pela rua
………………………………que é só sua

escuto seu piano.

mas não penso te em visitar
(porque) é também a mim prazeroso
imaginar-te e te deixar estar
(o quê?) em ócio operoso

(e de estar você assim,
tão sutil, tão abstrato,
de qual emoção, enfim,
teremos um
…………………….concreto
……………………………………retrato?,
sua destra marcará
prosa, poesia,
riff de guitarra,
grifo ou carcará,
gozo ou azia,
fossa ou algazarra?)

e às vezes eu não quero te encontrar
por banal, não ter nadar para lhe mostrar

Versos de ocasião de Cláudio Tropigo – V

Vai

O desejo se afasta,
E uma névoa embaça
Os particulares traços:
Agora são falsos abraços,
Sorrisos que vão, um por um,
Apagados por esse cinza comum

E volta?

Voto que visa o trágico,
se morno.
Como aquele pássaro mágico,
só renasce do fogo.

*
Sussurros do Pierrot andante

O coração é uma bomba
Um músculo com pompa

Memórias são estórias
Que o tempo leva embora

A luz vem do Sol
Quando não, artificial

O chão é a terra
Que sempre te espera

E, porto seguro, minha filha
Uma cidade na Bahia

 

 

 

Versos de ocasião de Cláudio Tropigo – IV

Comentário: Cláudio Tropigo é um personagem. Estou legal. Valheu.

O ano

avança com brutalidade
transformando promessas em mentiras.
Arrastando tudo
pr’aquele ontem
que hoje mesmo
(um pouco mais cedo,
talvez de manhã)
eu
você
jurava que não
mais
existia.

Dormir.

Sério?
Pra quê dormir?

Dormir traz um outro não-dia.

*

Olá, senhor (a)

Olá, senhor (a).
O (a) senhor (a) deseja:

a. sofrer
b. registrar seu sofrimento

*

Não sei respirar

Alterno esse rigor mortis
Cuja mera imagem já te aflige
Com suspiros horrorosos
De intoxicada esfinge

 

Rascunhos para a RESINA

Resina é uma revista literária que um dia virá à luz. Por ora é um projeto meu e de Pedro Furtado (aceitamos outros colaboradores!). Cada edição terá textos (pode ser qualquer coisa, mas por agora pensamos em poesia) gerados a partir de uma palavra sorteada dentre várias escolhidas minutos antes. A palavra da vez é sombra.

Quase

corre pelo chão,
na horizontal
(projeção
quase
igual),
de encontro
à original,
a sombra
da folha
que cai:
(quase)
como o filho
pequeno
(e aflito)
aos braços
do pai.