ISABELA – 24

(Algo que eu talvez incorpore à Lúcia de Esdrúxulo e Lúgubre)

— Quem é você? Não, é sério. É preciso saber. Quem são seus vários eus? O seu eu que tem preguiça de lavar louça, esse preguiçosinho inocente, não é o seu mesmo eu, tirânico, que se imagina no gozo de privilégios?… Eu ia adjetivar, infundados, indevidos, mas, ahn: privilégios, ponto.

Desgostos estilísticos

usos da língua que acho feios. nada normativo ou prescritivo, que todos escrevam como quiserem. só tomando nota (para mim mesmo). (provavelmente vou usar na hora de criar o modo de falar de personagens). feias e indesejáveis são as expressões, não (necessariamente) as pessoas que as usam (já há ódio e nojinho suficiente no mundo, não é?).

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meio que – feio, pós-adolescente. qual é desse que?  parece-me ser um anglicismo, tradução literal de kind of.

tinha esse sujeito – parece-me outro anglicismo. recordo-me imediatamente dos anglófonos dizendo this o tempo todo. por que não “tinha um sujeito”?

ponto fora da curva –

diferenciado –

top –

fora da caixa – a expressão já é feia e boba em inglês, para que trazê-la para o português? que caixa é essa?

um misto de – pão, manteiga, queijo e presunto?

pegada – especialmente quando usado para descrever música popular (sendo música popular toda aquela que não é erudita).

uma espécie de – não tem nada de errado com a expressão, mas me irrita, talvez por ser usada demais.

proativo (ou pró-ativo) – anglicismo feio, temos diligenteprestativoeficienteativoaplicado, zeloso, cuidadoso, despachado, expedito, solícito, etc..

o mesmo – mesmo não é pronome não pessoal.

fora da casinha

zona de conforto – 

pois – não há nada errado com pois, mas me irrita.

enquanto que – o que diabos faz esse “que” aí? http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u551.jhtm

Lúcia – IV

Nunca uses nenhum símbolo de proteção. Nutra por todas as crenças alheias (aquelas que não são tuas ou por ti adotadas) o mais cínico e profundo desprezo. Não o manifeste. Sorria. Estás de corpo fechado (continuas, porém, sujeito a todos os acidentes da matéria).

Tua essência é algo que tu mesmo não decifras. De nada adianta que saibam teus nomes ou que tenham mechas de teus cabelos. Essas não são chaves para ti. Estás de corpo fechado (continuas, porém, sujeito a todos os acidentes da matéria).