A VITÓRIA DOS FUTURISTAS

I. 

Dedinhos nervosos
Dedinhos nervosos

Antes, o rigor da pedra
Estilo preciso
Hoje, dedinhos nervosos

Isso não te dá um cagaço?

— Você vai por cagaço no seu poema?

— Não te dá um cagaço?

II. 

Diuturnamente
(como na dicção
dum delegado pesporrente)
helicópteros
espancam as manhãs,
britadeiras empreendem
contra as tardes
e as noites
ai,
……(ai, o que se espera das noites…)
não sustentam mais
qual
quer
ilusão

Ao final das contas
sonha-se apenas com um
nada consta.
Mas, agora
que são
(só)
contas,
as contas,
as contas não fecham.
O que é

b   a   n   a   l

 

Banal
Como um transformador
explodindo de madrugada
em um bairro de classe-média baixa

(Sem um crescendo de explosões
Cem voleios de canhões sinfônicos
Nada assim tão épico, tão russo,
tão

……………………………………………………….escapista.

Os canhões, inclusive, isso é bem sabido,
Estão todos investidos na guerra contra o gozo).

Explode um transformador
E agora você
Medita sobre,
literalmente sobre,
As contas.

Elas não fecham.

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