ISABELA – 20

— Da mesma forma que começamos a estudar artes marciais pelos motivos errados, nos imaginando futuras máquinas de dar porrada, estilosas e malvadas, mas depois percebemos que o valor desse caminho é outro, outro completamente diferente, devemos continuar escrevendo, mas não com mesmos os objetivos, semi-secretos e escusos, que nos colocaram na empreitada. (Está certo, alminha pura, nem todos os  seus objetivos são escusos, eu acredito, acredito). Não vamos sair pela noite resolvendo os problemas do mundo na mão. Da mesma forma, vamos abandonar as fantasias com entrevistas, convites para eventos, adaptações para o cinema, essa punheta (de bêbado). E os penduricalhos também, você não precisa de óculos de casca de tartaruga (pobres tartarugas), de um paletó tweed (não diga blazer, blazer é outra coisa), de moleskines, de um MacBook, de nada disso. Também não precisa conhecer ninguém, ficar amigo de ninguém, fazer o curso de ninguém. Porque isso é o que a atividade tem de mais mesquinho, mais vazio, mais triste. E… Da mesma forma que, depois de um tempo, de alguma experiência, um soco deve ser apenas um soco, um livro é apenas um livro. Existe um mundo dentro desse apenas, mas mesmo assim, apenas.

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