A Mestra – II

Quimeras


I. Hecáte

Na escura madrugada,
Diante do invisível,
A cainçalha toda late
Anunciando a sagrada,
Tríplice e invencível,
Divina sitônia, Hecáte:

Traz em mãos o lume,
Serpentes e ervas,
Das chaves a chave,
E aço de afiado gume.
É o brandão das trevas,
Que as trilhas abre.

Encontrarei na encruzilhada (2x)
A Deusa da maior Arte (2x)
Prostrarei-me ajoelhada (2x)
Aos pés de Salvadora Hecáte (2x)

À que opera à distância;
Conselheira de sábios e reis,
Senhora da terra, céu e mar,
Doce protetora da infância,
A quem sacrifícios são lei;
Sangue e mel levaremos ao luar

À que na Titanomaquia
Pugnou ao lado de Zeus
Suplicamos com humildade:
Ó, fonte de toda a Magia,
Intervenha pelos devotos seus,
Auxilie a mortal humanidade.

Encontrarei na encruzilhada (2x)
A Deusa da maior Arte (2x)
Prostrarei-me ajoelhada (2x)
Aos pés de Salvadora Hecáte (2x)

*


II. Anti-Orfeu

Não quedes à margem,
Como se moribundo.
Nem prepares viagem
Ao escuro submundo.

Foi assim, foi isso.
Para o n’água escrito
Não há nada prescrito.

Foi assim, é isso.
Natural é nosso oaristo
Para sempre no aoristo.

*

III. Medeia

Ó, não me enganes não,
Não te chamas Jasão,
Mas não fazes ideia,
Se me vens com traição
E fere-me o coração,
Descubro-me deia.

E rápida, num arroubo,
Armo logo meu logro,
O pior tipo de jogo:
Deixo-te triste e louco
E  ainda fujo em carro de fogo

Ao infiel, o fel; ao falso amigo, castigo (2x)
Ai, ai! Que caia o céu de quem errar comigo (2x)

Nem virgem e nem santa,
Elisabetana e suicida,
Como infeliz Ofélia.
Quando a ira minha se levanta,
A briosa cabeça erguida
Outro papel espelha

Se me trazes injúria
,
Percebes minha sabedoria
Toda feita de fúria
Quando ataco em euforia
Na minha destruidora estreia
,
Feiticeira e cruel, vestida de Medeia

Ao infiel, o fel; ao falso amigo, castigo (2x)
Ai, ai! Que caia o céu de quem errar comigo (2x)

*

 IV. Circe

Marinheiro, lasso e trabalhado,
Não hesites, junte-se a mim,
Venha deitar ao meu lado,
Em meio a comes e bebes sem fim,
Divãs para te largares sossegado,
Dóceis lobos e leões no jardim.

Esqueças guerras, pátria e família,
Alheie-se a todo e qualquer problema,
Desdenhes de proa, popa, velas e quilha,

Está tudo já resolvido, nada mais tema:
Perca-se em minha obscura ilha,
Onde reino só, senhora suprema.

Por que errar pelos mares de novo?
Se acertas encerrando aqui a história.
Por que com suor e sangue chegar à glória?
Se aqui tens infinito e gratuito gozo?
Quede com feiticeira da mais fina estirpe,
Sucumba a mim, filha do Sol, poderosa Circe.

*

V. Lamento do homem suíno

Por qual pecado
Carrego tal fardo?
Só por tolo, descuidado,
fui em besta transformado?
É por mero capricho
Que s
ou mudado em bicho?

Ninguém a mim disse:
Estás em Ea, Ea,
A ilha de Circe

Ninguém a mim disse:
Estás em Ea, Ea,
A ilha de Circe

Nunca fora meu destino
Viver assim, como suíno
Por simples desatino.
Ai, a dor de entender
Das sortes o porquê:
Ulisses, herói aziago, deita na cama,
Simples soldado chafurda na lama.

Ninguém a mim disse:
Estás em Ea, Ea,
A ilha de Circe

Ninguém a mim disse:
Estás em Ea, Ea,
A ilha de Circe

*

VI. KatabasisKteís

[…]

VII. A Esfinge

[…]

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4 comentários sobre “A Mestra – II

  1. Sérgio é um nome que você já usou em “Exposição de Motivos”, esse personagem não se parece muito com o Sérgio de agora, mas parece muito com Pereira (qual o nome dele?), que estuda(va) Psicologia, vivia com amigos/colegas em uma casa bagunçada. Essas coisas estão se repetindo. Além disso, repete-se também a referência ao rock, que você usou em “Menina de Ontem”, e as referências à mitologia grega, que estão também em “Caminho da Roça”. Não é mesmo?

    Daí eu chuto, você tá entre os 20 e os 30 e estuda ou estudou Letras (Grego) na Federal, não?

    • São Sérgios diferentes. O Sérgio de “Exposição de Motivos” se parece mesmo com o Pereira, cujo prenome é Daniel, o que eu vou expor e explicar em algum momento.

      Sim, eu estou mais uma vez falando de rock e fazendo referências à mitologia grega. São coisas das quais eu gosto.

      Não e não, eu não estou nessa faixa etária (mas bem próximo), e não estudei Letras não.

  2. Cara, não havia lido ainda “homem suíno”. Fantástico, mais uma vez, profusão de ritmos, abordagem sempre muito criativa. Tive a impressão de que talvez esteja incompleto? Você pretende estendê-lo?

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