SÉRGIO – VIII

— E bem, meu caro, não me subestime, eu tentei um punhado de coisas, juro, mas no fundo sempre volta pra isso, pra esse desencantamento do qual eu não consigo me livrar… Eu tentei acreditar em Jesus, é claro, não me subestime, eu tentei terapia, eu tomei anti-depressivos por um tempo, eu tentei, ahn, haha, eu tentei a esbórnia, né? Álcool e sexo. Eu, inclusive, me ferrei um tanto nessa de álcool e sexo… Tem um lado muito feio nisso, ahn, vários, vários lados muito feios… Mas na maior parte das vezes eu imagino catástrofes imensas, desgraças mesmo, e me sinto bem por nada disso ter acontecido, ou não ter acontecido ainda, pelo menos. Eu penso nas pessoas fudidas, grotescamente fudidas, e aí tento me sentir bem com essa mesmice… Isso ajudou muito, muito mesmo, por um tempo, ainda ajuda de vez em quando… Mas eu também penso se não seria melhor ser destruído de uma vez… Seria melhor, talvez… Do que essa destruição lenta, esse banho maria.

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