SÉRGIO – V

— Tem também outra coisa, que acho que é normal, relativamente normal… Até recentemente, relativamente, até eu chegar nos vinte e poucos, eu passava a maior parte do meu tempo entretido com as coisas que existiam exclusivamente na minha cabeça. As pessoas assistem séries agora, né? Eu tinha umas três, quatro séries na minha cabeça, o tempo todo. Eu era o principal ator, o roteirista e o diretor de todas elas, e, bem, elas alcançavam todos os gêneros, do drama à pornografia. Sonhar acordado, é. E, bem, um dia parou, um dia eu deixei isso de lado, um dia eu acordei… E ter acordado… Normalmente isso seria considerado libertador, um passo rumo a alguma maturidade. Né? Acontece que eu acordei, tive uma crise de… Ahn, imanência… E então passei a achar tudo uma merda… Eu não me encanto com quase nada… Não, tem… Tem minha filha, tem a infância dela, pela a qual eu sou responsável, e é por conta disso que eu estou aqui, mas… Não deixa… Tudo… Tudo não deixa de ser uma merda por conta disso.

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