SÉRGIO – III

— Ou… Ahn, ou talvez eu esperasse mais do futuro, achasse que ele iria trazer coisas diferentes. E ele chegou, desapercebido, sem nada realmente muito novo. Uhm. Promessas para o futuro. Talvez seja um problema do nosso século, não? Do século passado, na verdade… Essa fixação com o futuro, essa expectativa absurda. No ano dois mil, dizem. Ahn, tá aí, ó. Dois mil. Dois mil e doze. E aí?

— …

— Mas, ahn, de qualquer forma, existe essa desolação… Essa coisa. De ser tarde, de ser tarde, tarde demais… E a vida, ahn… Nada demais.

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