ISABELA12.TXT

Isabela dizia não se preocupar com a morte, não temer a morte. [Uma postura advinda de vários e recorrentes sentimentos vagos validados por sua interpretação do Críton feita quando adolescente (que é a idade adequada para conhecer Platão, diga-se de passagem)]. Uma vida mortificada — cheia de dor e privada de significado — parecia-lhe bem pior do que a própria morte. As coisas mudavam drasticamente de figura quando ela estava trabalhando em algum texto capaz de verdadeiramente deixa-la excitada. Era seu parâmetro de qualidade:

— Esse é o nível de empolgação, de comprometimento, de entrega, Nestor. Você tem de temer pela própria vida. Bem, não, não exatamente pela própria vida. Você tem de temer morrer sem terminar o texto. Terminar o texto.

Palavras que eu escutei calado, passando a mão no queixo mal barbeado, sentindo uma mistura de admiração e inveja.

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