ISABELA7.TXT

Até alguns anos atrás ela costumava se esforçar para responder tudo no exato momento, o mais incisiva possível. Sempre no contra-ataque ligeiro, no riposte. Mais recentemente, porém, começara adotar técnica diversa: esperava o indisputável fim da fala alheia e então lançava ao interlocutor um olhar direto, calmo, sem nada dizer. Era como se forçasse as palavras recém proferidas a permanecerem suspensas no ar por instantes, intervalo no qual inevitavelmente se repetiriam nas mentes dos presentes, revelando seus defeitos, perdendo sua espontaneidade e força. Isabela então atacava, suave, metodicamente. Às vezes fazia pior, às vezes só perguntava:

— Essa é então a sua opinião? — o que, com uma resposta positiva da parte contrária, completava, felina, com um desinteressado — Pois bem.

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