ROSA1.TXT

Irritado, Rosa coçou a barba. Era um sinal, uma maneira de me responder não respondendo.  Isso porquê acreditava que a padaria não era lugar adequado para aquele tipo de conversa. De outras vezes havia repetido uma frase do Poderoso Chefão, alguma coisa parecida com não se discute questões de família na presença de gente estranha. Para mim, entretanto, tratava-se de uma conversa nossa e, ao mesmo tempo, de ninguém (de todo o mundo). Que era? Qualquer coisa abstrata: o tempo, a matéria, a história (não me recordo do exato conteúdo). Não havia motivo nenhum para privar a  mulher do caixa de breves instantes daquela prosa.

Encontrei, desde então, nos modos de Rosa um fetiche pelo tablado, pelo gabinete, pela cátedra — ou, ainda, pela conversa de compadres em volta do fogão de lenha. Nada peripatético. Um péssimo jeito de helenizar a ilha.

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